Golpe da maquininha no delivery sobe 136% em SP: 5 passos para não cair

Você abre o app de delivery, faz o pedido e, quando o entregador chega, ele avisa: “o pagamento no aplicativo deu erro, pode passar na maquininha aqui?”. Parece corriqueiro. É exatamente nesse ponto que o golpe começa. Em agosto de 2026, a Febraban voltou a alertar os consumidores sobre uma modalidade que cresce em ritmo acelerado no Brasil e que, só na cidade de São Paulo, avançou 136% nos últimos meses: o golpe da maquininha em entregas por aplicativo.

O que é o golpe da maquininha em delivery

A fraude parte de um pretexto simples: um suposto problema no pagamento original. O criminoso se apresenta como entregador de um pedido real (às vezes, de um pedido falso, feito só para armar o encontro) e alega que a cobrança não caiu no app. Em seguida, oferece uma maquininha “própria” para resolver na hora.

Daí em diante, existem três variações principais que a Federação Brasileira de Bancos e delegacias especializadas vêm mapeando ao longo de 2026:

1. Maquininha com visor quebrado

O golpista entrega a máquina com o display trincado ou coberto por adesivo. Você digita a senha sem conseguir ver o valor real lançado. Um pedido de R$ 60 vira uma compra de R$ 6.000 debitada no cartão de crédito.

2. Troca do cartão

O criminoso pede para inserir ele mesmo o cartão, alega que “a máquina travou” e devolve outro cartão parecido, do mesmo banco ou cor. Você guarda sem conferir. Com o cartão original na mão e a senha memorizada, ele faz saques e compras nas horas seguintes.

3. Filmagem do cartão

Variante mais discreta: o entregador segura o celular próximo da sua mão enquanto você paga e filma frente e verso do cartão. Com número, validade e CVV em mãos, os dados vão para fóruns fechados ou são usados em compras online sem 3DS.

Por que agosto de 2026 concentra os casos

Dois fatores explicam o pico. O primeiro é o volume: o Dia dos Pais, comemorado em 9 de agosto, foi o segundo maior evento de varejo do semestre, com forte alta em entregas de presentes por app. Mais pedidos, mais janelas para o golpe.

O segundo é comportamental. Boa parte das pessoas já se acostumou a pagar fora do aplicativo quando o entregador insiste. A Febraban lembra que essa é a bandeira vermelha número um: no delivery legítimo, o pagamento é sempre concluído dentro da plataforma. Se saiu do app, você perdeu a cobertura do aplicativo em caso de fraude.

Como se proteger sem parecer paranoico

O roteiro de defesa é curto e cabe em cinco passos que funcionam em qualquer entrega:

Pague dentro do app. Se o entregador afirma que o pagamento falhou, cancele o pedido pelo próprio aplicativo e refaça. Nunca aceite “maquininha própria” de motoboy ou motorista.

Insira o cartão você mesmo. Não entregue o cartão na mão de ninguém, em nenhuma situação. Pegue a máquina, insira, digite a senha protegendo com a outra mão e retire o cartão com você.

Recuse maquininha com visor danificado. Se o display está trincado, coberto, com adesivo ou “não liga direito”, encerre a operação. Essa combinação existe justamente para esconder o valor.

Confira o valor antes de digitar a senha. Leia o número na tela em voz alta, se preciso. Depois que a senha entra, o dinheiro saiu.

Prefira cartão virtual para compras online e pequenas entregas. O cartão virtual gera um número diferente do plástico, tem limite ajustável e pode ser bloqueado sem afetar o cartão físico. Nubank, Inter, C6, Itaú e a maioria dos bancos oferecem gratuito pelo app.

O que fazer se você já caiu

Se percebeu a fraude minutos ou horas depois, a ordem é essa: bloquear, registrar, contestar.

Bloqueie o cartão pelo app do banco imediatamente. A maioria dos aplicativos tem o botão “bloquear” logo na tela inicial do cartão, sem precisar ligar em call center.

Registre boletim de ocorrência online. Estados como São Paulo, Rio, Minas e Bahia aceitam registro pela delegacia eletrônica, e o número do BO é o que o banco vai pedir depois.

Abra a contestação no aplicativo do banco em até 90 dias. Pelas regras do Banco Central, a instituição tem prazo para responder e, em fraudes reconhecidas, o estorno da compra contestada é padrão. Peça também o cancelamento definitivo do cartão físico e a emissão de um novo com numeração diferente.

Cartão virtual e limite baixo: dois hábitos que salvam

Dois ajustes simples reduzem drasticamente o prejuízo mesmo se o golpe acontecer. O primeiro é usar cartão virtual em delivery, e-commerce e qualquer situação em que o número saia do seu controle. Cada compra pode ter um número descartável e o gasto máximo é definido por você.

O segundo é manter o limite total do cartão físico compatível com o que você realmente usa. Ter R$ 30 mil de limite disponível parece confortável, mas em uma fraude sem contestação rápida é exatamente esse valor que vai para a fatura. Ajustar o limite pelo app leva 30 segundos e você pode subir depois quando precisar.

O ponto que ninguém fala

O golpe da maquininha não depende de tecnologia sofisticada. Ele depende da nossa pressa em resolver o pedido e do reflexo de confiar em quem está uniformizado. Toda vez que o entregador aparece com uma máquina que não é do app, o roteiro é o mesmo: cancelar, refazer pelo aplicativo, seguir a vida.

Se você recebe entregas com frequência, avise quem mora com você. Idosos e adolescentes são os alvos preferidos porque tendem a aceitar a explicação sem questionar. Uma conversa de dois minutos em casa vale mais do que qualquer seguro de cartão.

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