Crédito do Trabalhador: consignado CLT pela Carteira Digital em 2026, passo a passo

Desde março de 2026, qualquer trabalhador de carteira assinada no Brasil pode contratar empréstimo consignado diretamente pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, sem precisar que a empresa tenha convênio com banco. É o Crédito do Trabalhador, programa criado pelo governo federal pela Medida Provisória 1.292/2025, que mudou o mercado de crédito para o CLT — e que ficou ainda mais atrativo após as novas regras de Custo Efetivo Total publicadas pelo Conselho Monetário Nacional neste ano.

Na prática, é uma linha de empréstimo com parcela descontada direto na folha de pagamento, mas com portabilidade entre bancos garantida e taxas bem abaixo do crédito pessoal tradicional. Enquanto um empréstimo pessoal comum cobra entre 8% e 15% ao mês, o consignado CLT no Crédito do Trabalhador parte de 1,63% e tem média perto de 3,5% ao mês. A diferença mensal vira centenas de reais no bolso ao fim do contrato.

O que é o Crédito do Trabalhador

É a nova modalidade de consignado privado disponível para todos os trabalhadores formais regidos pela CLT, incluindo empregados domésticos, rurais e MEIs que contratam funcionários. A grande mudança em relação ao consignado privado antigo é que o empregador não precisa mais fechar convênio com instituição financeira: a autorização do desconto em folha passa agora pelo eSocial, e qualquer banco habilitado consegue oferecer crédito a partir dos dados que o próprio governo disponibiliza.

O programa também permite portabilidade. Se um banco oferecer taxa melhor, você transfere a dívida e reduz o custo total. Isso obrigou as instituições a competir de verdade pelas propostas — e, na prática, derrubou os juros no comparativo das ofertas dentro do app.

Quem pode contratar

  • Trabalhadores com carteira assinada ativa há pelo menos 90 dias na mesma empresa.
  • Empregados domésticos com vínculo formal registrado no eSocial.
  • Trabalhadores rurais com contrato CLT.
  • Aposentados e pensionistas do INSS (modalidade tradicional, que continua valendo em paralelo).

Quem está em período de experiência, atua como autônomo sem registro ou é MEI sem CLT própria não acessa esta linha — nesses casos, a alternativa segue sendo o crédito pessoal comum ou linhas específicas para microempreendedor.

Margem consignável: quanto você pode pegar

O limite continua em 35% do salário líquido para a parcela do empréstimo, mais 5% reservados a cartão consignado e mais 5% a cartão benefício, totalizando até 45% de comprometimento de renda. Ou seja, para quem recebe R$ 3.000 líquidos, a parcela máxima do Crédito do Trabalhador fica em R$ 1.050.

Além disso, o trabalhador pode oferecer como garantia até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória de eventual demissão sem justa causa. Essa garantia é o que permite ao banco baixar ainda mais a taxa — e é por isso que as ofertas para quem libera o FGTS são, em média, 30% mais baratas.

Taxas e o novo limite de CET

As taxas do Crédito do Trabalhador variam de 1,63% a 6,87% ao mês, dependendo do banco, do prazo e da garantia oferecida. A média de mercado em junho de 2026 está em 3,48% ao mês.

A grande novidade veio com a resolução do CMN que entrou em vigor neste ano: o Custo Efetivo Total (CET) não pode ultrapassar a taxa de juros mensal contratada em mais de 1 ponto percentual. Em outras palavras, se o banco diz que a taxa é 2% ao mês, o CET máximo permitido é 3% ao mês. Tudo o que exceder isso é considerado cobrança irregular e dá direito à contestação.

Também ficaram proibidas tarifas de cadastro, abertura de crédito e similares. Só continuam permitidos juros remuneratórios, IOF e seguro prestamista — e este último, apenas se o cliente autorizar de forma expressa. Fique atento a esse ponto no momento da contratação.

Passo a passo para contratar pela Carteira de Trabalho Digital

  1. Atualize o app: baixe ou atualize a Carteira de Trabalho Digital nas lojas de aplicativos. A função aparece na tela inicial.
  2. Acesse a seção Crédito do Trabalhador: entre no menu específico do programa dentro do app.
  3. Autorize a consulta ao eSocial: isso libera os bancos para ver seu salário, tempo de empresa e margem disponível.
  4. Aguarde as ofertas: em até 24 horas chegam propostas das instituições habilitadas, com taxa, prazo, parcela e CET de cada uma.
  5. Compare CET, não só a parcela: a parcela menor pode esconder prazo maior e custo total maior. Olhe sempre o CET ao ano.
  6. Aceite a melhor proposta: assine digitalmente e aguarde o crédito cair na conta — em geral em até 2 dias úteis.

Cuidados antes de assinar

Empréstimo consignado é dívida que sai do salário automaticamente. Isso é bom porque evita atraso, mas também significa que, em caso de demissão, o saldo devedor pode ser quitado direto da rescisão e o FGTS oferecido como garantia fica retido até a liquidação. Pondere se o valor da parcela cabe num cenário de renda menor.

Outro ponto: a Carteira de Trabalho Digital é o único canal oficial. Se alguém te liga oferecendo Crédito do Trabalhador por WhatsApp ou pede Pix para liberar a proposta, é golpe. Banco sério não cobra nada antes da liberação do crédito.

Vale a pena em 2026?

Para quem precisa trocar uma dívida cara (cheque especial, cartão rotativo) por uma mais barata, sim — e muito. A combinação de taxas baixas, CET limitado por lei e portabilidade entre bancos faz do Crédito do Trabalhador a opção mais competitiva do mercado para o CLT em 2026. Para consumo novo, vale a regra de sempre: só pegue se a parcela couber confortavelmente no orçamento e se o destino do dinheiro também for produtivo, como quitar dívidas mais caras ou cobrir uma emergência real.

Pronto para simular? Abra agora o app da Carteira de Trabalho Digital, acesse o menu Crédito do Trabalhador e compare as ofertas dos bancos habilitados. Em poucos minutos você vê quanto pode pegar, qual a taxa e o CET de cada proposta — sem compromisso e sem precisar pisar em uma agência.

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