Com o Crédito do Trabalhador em funcionamento desde março de 2026, o consignado para quem é CLT deixou de ser nicho e virou a modalidade de empréstimo mais buscada do país. Mas as taxas, apesar de muito abaixo do crédito pessoal convencional, variam de forma significativa entre bancos tradicionais e fintechs digitais — e saber onde cada um se posiciona faz diferença no bolso ao longo do contrato.
Neste artigo trago o comparativo atualizado para 2026, com juros médios, prazos e principais diferenciais operacionais de cada tipo de instituição. Os dados vieram de simulações reais e tabelas públicas divulgadas pelos próprios credores entre junho e agosto de 2026.
Como funciona o consignado CLT em 2026
O modelo é direto: o trabalhador autoriza o desconto da parcela diretamente na folha, e a empresa repassa ao banco. A operação ocorre inteiramente pela plataforma do Crédito do Trabalhador, com a Carteira de Trabalho Digital como identificador. A margem é de até 35% do salário líquido para empréstimo em sentido estrito.
O que diferencia uma proposta da outra é basicamente: taxa, prazo máximo oferecido, agilidade da liberação e exigência (ou não) de conta-salário. Dois trabalhadores com salários idênticos podem receber ofertas bem diferentes conforme o perfil de crédito e, principalmente, o canal onde fazem a simulação.
Taxas em bancos tradicionais (grandes 5)
Os bancos tradicionais trabalham com taxas na faixa superior do mercado, mas oferecem valores maiores:
- Banco do Brasil: 2,25% a.m. — prazo até 72 meses — exige vínculo e análise manual
- Caixa: 2,10% a.m. — prazo até 72 meses — convênio corporativo necessário
- Itaú: 2,30% a.m. — prazo até 60 meses — mais ágil, 24h de liberação
- Bradesco: 2,45% a.m. — prazo até 60 meses — conservador na análise
- Santander: 2,20% a.m. — prazo até 72 meses — convênios ativos com grandes empresas
CET médio nos tradicionais: 32-38% a.a. — competitivo frente ao crédito pessoal, mas distante do patamar das fintechs. Os bancos tradicionais costumam oferecer esse produto como fidelização, embutindo tarifas de pacote ou condicionando à abertura de conta-salário, o que diminui parte da economia aparente.
Taxas em fintechs digitais
As fintechs chegaram agressivas e, com custo operacional menor, repassam a diferença ao cliente:
- Nubank Consignado: 1,45% a.m. — prazo até 60 meses — 100% digital, aprovação em 1h
- C6 Bank: 1,55% a.m. — prazo até 72 meses — exige conta C6
- Inter: 1,65% a.m. — prazo até 60 meses — fluxo totalmente app
- BMG Fácil: 1,70% a.m. — prazo até 72 meses — herdeiro do consignado forte da BMG
- Agibank: 1,80% a.m. — prazo até 60 meses — foco em perfil mais popular
CET médio nas fintechs: 22-28% a.a. — a diferença de 10 pontos percentuais frente aos tradicionais, em um contrato de 36 meses sobre R$ 15.000, pode significar R$ 2.800 a menos de juros pagos. Em contratos maiores (R$ 30-50 mil, 60 meses), a economia pode passar de R$ 10.000.
Comparativo rápido por perfil
Para orientar a escolha, resumo quem geralmente se dá melhor com cada tipo de instituição:
- Trabalhador com salário entre R$ 2-4 mil: fintech digital, taxa menor, aprovação rápida
- Trabalhador com salário acima de R$ 8 mil: vale negociar com o banco onde recebe salário — descontos extras surgem na mesa
- Necessidade de valor muito alto (acima de R$ 50 mil): banco tradicional, com análise manual, costuma liberar mais
- Primeira contratação: fintech tem fluxo mais simples; tradicional pode exigir deslocamento à agência
Quando o banco tradicional ainda compensa
Apesar da diferença, há situações em que o banco tradicional vence:
- Valor muito alto (acima de R$ 50.000): fintechs costumam limitar; tradicionais aceitam
- Prazo longo (72 meses): nem toda fintech oferece esse horizonte
- Relacionamento histórico (gerente, pacote): pode render desconto negociado
Ainda assim, antes de assinar com banco tradicional, levar uma simulação de fintech serve como alavanca de negociação. Em 2026, essa prática virou rotina — e os gerentes já esperam.
Dicas para extrair o melhor
- Compare SEMPRE o CET, não a taxa nominal — IOF, seguro e tarifas pesam bastante
- Simule em pelo menos 3 instituições antes de assinar
- Use a simulação da fintech como alavanca de negociação com o banco atual
- Peça liberação em prazo mais curto — reduz o custo total mesmo com parcela um pouco maior
- Verifique se há seguro prestamista embutido; muitas vezes é opcional, mas vem marcado por padrão
A boa notícia: com Open Finance ativo, trocar de banco virou operação de 5 dias úteis. Não há motivo prático para pagar taxa alta por inércia. Em contratos superiores a 24 meses, revisitar o consignado uma vez por ano, após cada corte de Selic, costuma gerar economia relevante.
Portabilidade e revisão periódica
Um detalhe pouco explorado: com Selic em movimento, o consignado contratado hoje pode ser portado para taxa menor em 12 ou 18 meses, sem custo adicional ao trabalhador. A portabilidade de consignado foi simplificada em 2026 pela normativa que integrou o Crédito do Trabalhador ao Open Finance.
Na prática, basta autorizar o compartilhamento de dados pela Carteira de Trabalho Digital e, em até 5 dias úteis, outras instituições enviam propostas. Isso significa que a decisão de hoje não é definitiva — e revisar o contrato periodicamente é parte da gestão financeira saudável.
Erros comuns na contratação
Para fechar, alguns tropeços recorrentes que corroem a economia prometida:
- Esticar o prazo ao máximo só pela parcela menor — o CET explode
- Contratar cartão consignado junto sem necessidade real — compromete margem futura por anos
- Aceitar seguro prestamista embutido sem comparar valor contratado com cobertura
- Fechar sem comparar o CET entre fintechs — a diferença entre o 1º e o 3º colocado costuma ser relevante
Com os cuidados certos e revisão anual, o consignado CLT é hoje uma das linhas de crédito mais eficientes do mercado brasileiro — basta não deixar passar o cuidado com os detalhes.
